sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ao censo: senso!

Cá estou num dia normal de trabalho. Entrego relatórios aqui e ali e me deparo com um diálogo entre a ascensorista e a faxineira: indignei-me!

Controlei o desgosto e mantive o silêncio; afinal, tenho repulsa de toda essa gente que gosta de apontar o dedo na cara das pessoas e dizer o que fazer ou não fazer e o que é melhor àquela, e se não gosto que façam comigo não faço com os outros – sou coerente. Cada um sabe o que faz da vida; entanto, é imprescindível conhecer a consequência de atos impensados.

Vamos ao diálogo. Rápido e rasteiro:

Ascensorista: - aquela gente do IBGE foi na tua casa?

Faxineira: - não.

Ascensorista: - eles foram lá na minha, mas eu não atendi. Que quê querem saber da minha vida?

O que mais me revolta nisso tudo é que as amigas de banheiro, a manicure, a cabeleireira e todas essas amizades superficiais sabem – e muito – da vida desta pessoa. Mais ainda, sabem dos problemas mais nebulosos e que, por vezes, nem mesmo os filhos, o marido e os verdadeiros amigos sabem.

Não gosto de me alongar escrevendo neste blog, pois já tenho poucos (quando muito algum) leitores e um texto denso só afastá-los-ia, creio. Então, com contundência, há dois pontos relevantes a serem pensados.

1) O IBGE vem tendo grandes dificuldades nas entrevistas para este Censo 2010, não só no Rio Grande do Sul, mas principalmente nesta estância de São Pedro. O que mais se divulga é que os mais favorecidos e moradores de bairros mais nobres tem se negado a responder ao questionário. Por um sem-número de razões, quais sejam: fobia a assaltos, pedantismo, dados a esconder, bla bla bla. Entretanto, o diálogo acima prova que nem só nestas castas da sociedade há empecilhos, e sim em todas. Baixa, média ou alta. Relevante mesmo é que tais pessoas trabalham normalmente, não deixam de viver e mentem a si mesmos ACREDITANDO que cumprem assim seu belo papel no quadro social, como diria o visionário Raul Seixas.

2) Estas mesmas pessoas que mantém as portas fechadas aos recenseadores serão as mesmas pessoas que reclamarão das políticas tomadas pelo governo. Negligenciam que a base de dados usados na elaboração de tais políticas provém das informações que deveriam ter sido dadas por toda a população, contando consigo – e em primeiro lugar!

Que bom que sei que o silêncio é o mais sublime dos sons; que a escrita me é a melhor expressão de sentimentos. Posso ser estatística e motor.

PS: Não gosto de escrever na primeira pessoa, me soa arrogante. Gostando ou não, desta vez foi necessário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário