sábado, 30 de outubro de 2010

não pára não



Ricardo acorda às 14:35, é sábado.
No mínimo doze boas razões para seus olhos estarem vermelhos.
Ele já aprendeu algo sobre a vida; no entanto, sabe que aprenderá muito mais e ainda é jovem demais para ter uma voz arrogante. Então ele caminha com calma, e vive da melhor maneira possível, embora tenha planos não concretizados por desleixo. Ainda assim ele segue adiante e não baixa a cabeça.
O despertar é lento e vagaroso, a cabeça dói, e agora realmente não dá para baixar - ou o mundo vai girar mais ainda. Engov o ajuda e ele vai arrumando, lentamente, os estragos da bela e grandiosa festa da sexta. Algumas coisas deveriam ter sido feitas, outras não. Que pena, pensa consigo o guri, agora é tarde para pensar nisso. Não fez, não fez. Alguém certamente fez!
Toma uma jarra de café, por partes, tal qual Jack o Estripador.
Corta a calabresa, agora, esquenta a caçarola, reserva os ovos batidos com manjericão e orégano, corta o queijo, as azeitonas recheadas e joga tudo na panela. Se há algo que cura a ressaca é isso, com queijo parmesão ralado em cima, é claro!
O almoço atrasado é um prazer, então ele volta ao quarto e lembra qual era sua fantasia na festa da noite anterior: achou seu Wally!
Na hora de ir à rua, Ricardo toma antes um banho revigorador e vai até o mercado. Na volta assiste ao segundo tempo do jogo de seu querido S. C. Internacional, ele deveria estar no estádio, mas a circunstância o fez definhar: acontece! O empate em 1 a 1 com o Santos mata esperanças: foda-se, vamos à feira!
Tomate, banana e tempero verde, sempre necessários.
Aluga alguns filmes e na volta para casa encontra conhecidos de sua cidade natal.
A vida dá prazeres simples apenas àqueles que os conseguem ver, não àqueles que só pensam em carros, casas luxuosas e esposas gastadeiras vadias: coisas grandes demais para um ser humano sentir. E Ricardo sabe, pois Sabotage disse: respeito é pra quem tem!
E ainda são 21:23.
Há muito a acontecer!


terça-feira, 19 de outubro de 2010

a dita é dura



desculpe, querida;
eu nunca amei antes.
não sabia que não podia
sair para beber com meus amigos,
andar a esmo e rir sem motivos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

mofo seco

eu tive uma bela idéia
mas ela sumiu
sou amigo de um sábia
mas ele fugiu

cresci solto, na rua
a liberdade sucumbiu
esqueceram de amar um pouco
só lembraram de cobrar a conta.