Num dia desses a sensibilidade e a dor são tão grandes que a vontade de escrever ultrapassa qualquer limite. Aí tu vais pra frente do computador, digita linhas e linhas e não consegue precisar o que sente.
Frustra.
Dói.
Corrói.
Amargura na boca, no estômago, completa indisposição.
Tu tentas lembrar o que almoçou, bebeu, fumou, sentiu.
Então te dá por conta que não é nada disso; até fazem dias que estás socialmente limpo, na verdade estás sem vontade porque o tal do amor que te fizeram idealizar não funciona, embora tu tentes e faça força pra continuar a acreditar que um dia ele virá.
Cada frustração só te guia pra idéia de que esta é a única e se não for com ela não será mais.
Não foi, não é e não será a única.
Então relembras que é bom aprender. Que suportar - sem baixar a cabeça - dias como estes só te fazem lembrar que és um homem crescido, e como tal já aprendeu a sofrer em silêncio. Sem perturbar ninguém, a não ser a si - o próximo passo.
É melhor ser racional como ela foi.
Elas sempre querem mais.
Teu dinheiro é pouco.
Teu amor é rouco.
Teu sexo é fraco.
Teu companheirismo é pegajoso.
Teu apego é deprimente.
Tua dependência é crítica.
Tua conversa é melosa.
A música que tu ouves só faz barulho.
O filme que tu vês é sonolento.
O livro que tu lês é "intelectual demais".
Mais uma se foi, trate-a assim: pelo teu próprio bem, rapaz!
Amanhã já te esqueceste.
Não te prendas ao que não vai te levar a lugar algum.
Não dê valor pra quem não te dá consideração.
É assim que tem que ser.