Algo me assolou.
Não consigo parar de (pensar e) escrever.
Grande parte destas linhas não fazem sentido algum.
Estas palavras jorradas atingem a tudo e a todos sem discriminação.
Falo mal do futebol e do mundo da bola. Dos cartolas enriquecendo e rindo de nossas caras vermelhas empaspalhadas!
Critico a falta de vivacidade e tendência norte-americanizada desta nossa geração perdida (não aquela batizada - nos anos 20 - por Gertrude Stein!).
Como são alheios a quem cruza seus caminhos, não dão valor ao acaso, somente ao descaso - em seus tratamentos.
Passam horas fritando a cabeça em salões de beleza, como se isto fizesse os neurônios entrar em conflito para criar!
Pintam as unhas, depilam o peito, a virilha, as pernas, a vergonha na cara.
Estudam línguas contraindo monilíase.
Deveria eu, era ter vergonha de cuspir tanto ódio e de ser tão taxativo.
Não posso!
Não estou excluso.
Ao revés, cada alvejada eloqüente é um golpe em meu cérebro.
Não, em minha alma.
Pior, em meu caráter!
Melhor, não em minha personalidade.
Sempre acreditei ser melhor não tentar definir-se. Ainda acho.
Vai ver é por isso que passo a tentar me enquadrar em alguma palavra, e não em um grupo: hábito de quem gosta de brincar com as palavras. De quem as namora; com calma, com pressa.
Pouco a pouco me vejo mais maleável, mais aberto, menos intransponível, mais astuto, menos intransigente, mais carne, mais osso, menos racional.
Dançando insolente; sofrendo por besteiras.
Sinto falta dos verdadeiros amigos. Embora não estejam presentes não significa que sejam ausentes em minha vida, ao contrário, vejo a saudade como a melhor forma de demonstrar o quão importantes eles são.
Confesso ter medo de perder a leveza e o brilho da vivência sendo tão amargo.
Me fiz entender?
Me olhando bem, no espelho, até dá medo do que encontrar aqui dentro se eu continuar fuçando.
Pensando melhor, por que ter medo de ser eu mesmo, quando é isto que nossa juventude ébria mais procura?