terça-feira, 16 de agosto de 2011

estupidez

é dormir seis horas, intempestivo
acordar outras dezoito
completar as tais vinte e quatro
acordar do onirismo

acreditar no falso empirismo
que é estar afoito
pelo simples fato
de o vazio ser imperativo

por que não cheio de vida
por que não criativo
por que o paliativo
é tão insaciável

ao menos um pouco de esperança no aforismo
ao menos um pouco pra ceder
um piano a tocar
uma canção e nada mais

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

meia-noite e um pouco mais

de início, eu gostaria de entender este espaço - sem alarde -
atitudes carinhosas tendem a completar-se na carne.
como não tens coragem de te entregar,
não serei tolo a fim de tentar explicar.
[o pouco que sinto

sentir-se mal faz parte, às vezes arde.
um pequeno gesto bastaria, soaria menos covarde.
pra fim de papo: nobre vento seja o primeiro a levar o que ficou em aberto,
não quero, ao fim e ao cabo, me fazer de esperto;

[pretensão é sorrir sem um motivo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

atrevido

do meu baralho resta um ás
que de mansinho abre passagem
vencendo vertigens e aragem
pra enlaçar-te como faz o capataz

não satisfeito, meu ás,
chega perto de teu peito
e quer agora ter um par
pra passar o dia a divagar

e ao lhe tocar, logo atrás,
virá um jovem sem defeito
dizer-me eloquaz:
'pare de apertar, pare de rimar!

esta língua solta
e esta mão bem boba
são vulgares como ultrajes'
popular