sexta-feira, 30 de julho de 2010

Adiante

Não lutamos contra o tempo, deixamos passar e acontecer. Nossa vida é tão incomum e tão bem vivida que a luz do dia nos ofusca e a imensidão silenciosa e brumenta da noite nos encoraja, nos da vida, luz e pulso. Criamos idéias, fugimos da vulgaridade de ser bacana, cuspimos verde, amarelo e água. Tomamos porres homéricos, fumamos para conversar, musicar, beber, tossir, esquecer, refletir e abduzir.
Amamos e odiamos todas as mulheres, depende do momento.
Odiamos todo homem fétido que pensa contribuir para a sociedade: andando de carro novo, batizando um novo filho, jogando lixo nas ruas, menosprezando os menos favorecidos e criando barreiras a uma vida limpa. Odiamos também todos os outros, pois sabemos que o ódio é o sentimento mais rico de emoção que o ser humano pode suportar, quando deixa de suportar é vigança! E vingança de homem pra homem só acontece quando merece, e se merece merece!
Saímos do nada, fomos feito para a mundo do dá ou do desce. Crescemos banalizando e criticando sem bem saber como ou o quê. Chutamos as pedras crescentes, colhemos as flores brilhantes da primavera ou sinceras do outono.
Temos tudo na mente e não usamos pente.
Temos sonhos reais, interesses, idéias, vontades, ideais: só nos resta agir. E disso nós entendemos: não perguntamos, fazemos!

domingo, 25 de julho de 2010

Flor da pele

Por que tantos erros, tantas omissões e ausências?
Não que eu precise que ela entenda que o fato de eu ter escolhido sair com os amigos e beber até cair tenha sido em virtude dela ser menos importante. Não é. Porém as escolhas feitas num impulso ébrio vão guiar toda uma vida sóbria, ou mais ébria ainda, MAIS AINDA! Como posso eu reivindicar o fato de ela estar com outro se a razão disso tudo simplesmente foi o fato de eu não ter aparecido... eu ter ligado e ela não atendido... desencontros acontecem, mas a vida segue e ficam os cacos pelo chão. Não verbalizei todo o valor que dou a peça inteira, e agora os cacos eu ajunto. E só por emoção. Tristeza, aprendizado. Como combina tão bem este par de palavras que parece ter sido feito para não dar certo.
Incerteza não é o fim do mundo, é o embrulho no estômago quando a garfada atinge a boca faminta. A ressaca latente e o corpo a flor da pele. A comida mastigada tem gosto de amargura, amargura por ter ficado com a garrafa na mão, amargura de si. De ter errado quando era necessário acertar. De não ter me cobrado o controle, o auto-controle.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Senso

ela não pede amor mas diz sem mistério:
não és duro como o homem que não se apaixona
não és ingênuo como o eterno apaixonado
cai nos meus braços sempre ébrio
tentando se livrar do édipo de dizer: perdão!

domingo, 18 de julho de 2010

Inspiro, expiro.

Às vezes eu me pergunto quem eu sou, por que eu faço tudo tão automaticamente da mesma maneira, por que eu penso assim tão austero, por que elas ainda estão comigo. Nunca aparece uma resposta verbalizável, mas eu sei - aqui comigo - que existem tais respostas. O meu cérebro as formula e eu entendo o porquê do todo e de tudo. O segredo está comigo, o entendimento é crível e absolutamente palpável. Ele não é verbalizável porque é meu, só meu, de mais ninguém. As minhas idéias são minhas e não precisam agradar e nem fazer sentido pra ninguém. Não é egoísmo, nem egotismo. Não é fanfarrice ou amor próprio. É delinear o próprio eu e ter o conhecimento de si. É ter a visão total ao olhar para dentro, sem julgar o que está lá fora.

sábado, 17 de julho de 2010

Agir, parar jamais!

Muitos não podem mais correr; afinal, já se sabe que preferiram viver de joelhos a lutar. Alguns andam em círculos e acreditam travar a batalha dos séculos. Outros poucos cortaram o ciclo e de pés atados fizeram com suas próprias mãos tudo o que os derrotados por sua própria vaidade jamais tiveram coragem. O diálogo não interessa, a atitude vale a peça.

domingo, 11 de julho de 2010

Fogo

Subiu as escadas à minha frente. Entrou primeiramente na sala. Sentou-se ao meu convite. Cruzou aquelas delineadas pernas morenas, que vestido!
Vermelho é sempre fatal, aquele então... começava no batom e ia até os saltos. A roupa só transmitia o que ela guardava por dentro. O vinho tocando os lábios, que lábios, me levaram à insanidade. Um beijo cinematográfico, com a emoção pura da carne, não do coração. O perfume sensual, a respiração ofegante, o calor do toque. Se todas fossem assim, a aura não teria valor algum. Lindo, divino; linda, divina. Quando voltei à cama com seu café, o batom já havia retornado aos seus lábios, ela sorria feliz e sincera, com a boca me esperando, as cobertas tapando o entorno da cintura. O busto nu, que esplendor. Acariciar aquela pele macia e morena... O sublime é sereno e quente, descobri.

Uma mulher assim não perde o tato nem desce do salto, mas mantém o contato.