quarta-feira, 28 de setembro de 2011

viva essa idade

o amor é como uma criança indefesa.
se deixares de o alimentar
ele solitário irá fenecer,
brilho algum há de restar.
nos olhos fechados: tristeza;
tão florido poderia crescer
e, aos poucos, foi deixado
[para trás...

domingo, 25 de setembro de 2011

não é mesmo?

de tanto superestimar
deixamos de aproveitar
o que é verdadeiro e pleno
em troca de desespero eterno

sábado, 24 de setembro de 2011

cerca viva

ser romântico não significa a idealização
e sim o atendimento à necessidade
um acordar na noite com um sopro na nuca
e esquecer que a vida é dura

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O não dançar

Na incapacidade de compartilhar o que somos com alguém compartilhamos o que queremos ser, sem ninguém.

amálgama

não faz sentido pedir perdão
se posso incutir calor.
qual o problema de ignorar o sermão
e andar na linha a favor do esplendor?

a garota em seu alívio salutar
me faz crer que o problema
não é o sabor desandar,
e sim o perdão de algema.

sábado, 10 de setembro de 2011

À forca

Incapazes de enxergar qualquer incesto que seja capaz de viver, ludibriados pela idéia de sermos apenas outro grão de pó a formar a matéria-prima deste tijolos - tão capazes - ignoramos a grandeza do companheirismo e da cumplicidade.
Optamos por gostar de nós mesmos. Nem ao menos temos conhecimento do que nos faz, de fato, melhores.
Ao caminhar no contra-fluxo não percebemos todos estes que adentram o lixo, dormem nas ruas, mendigam não só nosso dinheiro: nossa (des)atenção, nosso potencial, nossos sonhos, por que não?
Intuitivamente é mais fácil culpar os outros por nossos erros.
Nos vangloriar pelos fugazes acertos.
Acreditar em nossa plena capacidade.
Crer na possibilidade de ir além, transcender.

Crescidos seríamos se ao alinhavar nossos ideais nos preocupássemos mais em compartilhar a grandeza que existe aqui, escondida e latente - clamando por atenção.
Me declaro culpado e digno de sentença perpétua por todo o mal que a mim, e a ti, fiz.
Me declaro culpado e indigno de viver por todo o bem que não fiz, quando tive a chance.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

amarra passional

este cheiro que me atrai,
e induz-me a teu pescoço beijar
me diz que quando em meus braços cai
é por puro e simples bem-estar.

distintas mãos a entrelaçar-se,
sincero e leve movimento,
impede que eu vire as costas
severo e rude como o vento

domingo, 4 de setembro de 2011

esquisito

eu que quero fugir de mim
e esquecer do passado
jogar tudo pra frente
ver o mundo
com a tua lente
saber como tu mentes