Diante inúmeros altos e baixos foi finalizado o leilão da concessão da construção da usina de Belo Monte, no Pará. As polêmicas vão desde à expropriação dos povos residentes nas áreas afetadas (e que serão alagadas) que são majoritariamente compostas de índios, ribeirinhos, e pequenos agricultores aos preços estabelecidos e a pressa nas negociações. Todos estes povos sobrevivem, essencialmente, do ecossistema que será destruído em detrimento da geração de energia proveniente da construção da nova hidrelétrica.
O consórcio Norte Energia, liderado pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), subsidiária da Eletrobrás, com participação da Queiroz Galvão, Gaia Energia e outras seis empresas foi o vencedor. O processo foi atribulado e com muitas tentativas de impedimento judicial, porém nada que congelasse o leilão. A concessionária vencedora teve êxito em razão de oferecer o menor custo por megawatt/hora, orbitando em R$ 78,00. É importante salientar que o consórcio terá redução fiscal de 75% durante DEZ ANOS e financiamento do BNDES.
Tal fato gerou enorme descofiança de diversos analistas e especialistas em geração de energia, argumentando a favor de um maior tempo de diálogo e estudo sobre a criação da usina, além de uma qualitativa discussão, acerca dos prós e contras de uma usina da dimensão da Belo Monte (que, se construída, será a terceira maior do mundo; atrás apenas da chinesa Três Gargantas e da brasileira Itaipu) com a sociedade, que é a real afetada. Além do mais, o valor negociado é considerado "fachada"; afinal, há ressalvas de uso do deságio no leilão em favor de ágio na distribuição. São questões em aberto e passíveis de mudanças.
Tal fato coincide com a semana em que o MST invadiu sedes do INCRA Brasil afora, na Jornada da Reforma Agrágria. Vale lembrar que o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) é incorporado ao MST; portanto, houveram inúmeras manifestações do MST contra a Belo Monte.
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